Brenda Howard e o porquê de não dizermos Parada Gay
- Bi-Sides

- 22 de jun. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jun. de 2020
Por Dani Vas
Estamos no mês de junho, mês do orgulho LGBT+. Esse é um ponto de partida importante para esse texto, pois muito se fala sobre o que é ser LGBT e muito se fala sobre a história moderna do movimento, com maior ou menor grau de disputa. Mas o que não se fala sobre é como surgiu a ideia de orgulho LGBT+, bem como quem foi responsável pela primeira Parada LGBT+. Existe um nome, muito central na nossa luta, que escapa da boca das pessoas, e que é tão importante quanto referências como Marsha P. Johnson ou Sylvia Rivera.
Estamos falando de Brenda Howard.

Brenda foi uma mulher cisgênero, bissexual, adepta ao poliamor e ao BDSM, judia, e a pessoa que criou a Gay Pride Week e, um ano depois dos acontecimentos em Stonewall, criou a Christopher Street Liberation Day Parade, em São Francisco, conhecida como a primeira Parada do Orgulho LGBT+ do mundo. Brenda foi uma das pessoas que ajudou a construir a Frente de Libertação Gay e a Aliança dos Ativistas Gays, dois dos principais movimentos pró pessoas LGBT+ da época. É responsável, junto com Donny The Punk, também bissexual, e L. Craig Schoonmaker, um gay, por popularizar a palavra Orgulho (Pride, em inglês) às festividades e aos protestos que até hoje seguem fortes no movimento. Brenda também esteve na criação do New York Area Bisexual Network, importante organização dos direitos bissexuais, entre outros grupos relevantes.
E aqui começo os questionamentos. Como é que alguém como Brenda Howards, tão central e importante no movimento LGBT+, tão a frente de seu tempo, é tão bruscamente apagada da história? A resposta é bastante simples: bifobia. O apagamento bi é tão poderoso, tão central para a segurança das identidades monossexuais (gays, lésbicas e héteros), que é preferível fingir que a Parada LGBT+ sempre esteve aí, sem rosto e sem origem, do que creditá-la a uma bissexual. A palavra Orgulho é tão difundida na boca de todos, que não há problema em esquecer que dois bissexuais estavam entre os responsáveis pela sua popularização.
Ser paulistano é poder experimentar todo ano, pelo menos naqueles que não acontecem uma pandemia, a maior parada LGBT+ do mundo. E, mesmo assim, é saber que existe trio elétrico para gays, para lésbicas, para trans, para BDSM, para familiares, mas não ter para pessoas bissexuais. É ouvir que Marielle Franco era uma mulher lésbica, sendo que ela era assumidamente bi. Desde 2018, foram os próprios militantes que improvisaram um cordão para montar o bloco oficial BiPanPoli, esmagado entre dois trios, e super esvaziado de pessoas bissexuais. Não só não temos apoio, como também não temos nem divulgação nem da própria organização da Parada.
É esse o legado que queremos herdar de Brenda Howard? Ou então de Marsha e Sylvia, também bissexuais?
Se queremos fazer honra à Stonewall e todos os frutos que colhemos e conquistamos nos anos seguintes, não podemos deixar bissexuais de fora. Brenda já estava lá, na linha de frente, construindo uma militância forte e que impactou a vida de gerações e gerações de pessoas. Nós já estávamos lá quando tudo começou e continuaremos por muito mais tempo ainda.
A Parada não é só gay, até porque ela nunca foi só gay.




Trump threatens Kuber79 new tariffs on European allies over Greenland until deal reached, as thousands protest..
Trump threatens in999 new tariffs on European allies over Greenland until deal reached, as thousands protest
Trump threatens BG678 new tariffs on European allies over Greenland until deal reached, as thousands protest
Trump threatens 55Club 2026 new tariffs on European allies over Greenland until deal reached, as thousands protest
After Obama says they're real, bharat club Trump orders release of government files on UFOs