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Stonewall: território de disputa

  • Foto do escritor: Bi-Sides
    Bi-Sides
  • 8 de jun. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de ago. de 2020

Por Dani Vas


Este não é um texto que busca contar a história do que foi a Revolta de Stonewall. Muitos já deram conta disso, de textos de revistas, a páginas em portais públicos, a filmes e livros. Particularmente, acho a página da Wikipédia bastante completa, ainda que confusa em certos detalhes. Meu propósito, aqui, é poder jogar luz a noção de que a Revolta de Stonewall não foi um movimento pelo amor e protagonizado por homens brancos gays, como se costuma a entender por aí.


Muitos podem argumentar que não faz sentido falar em bissexualidade no final da década de 60 e que na Revolta não haviam pessoa que se entendessem bi, mesmo que pessoas “praticassem” a bissexualidade, como se ela fosse um comportamento sexual, desconexo de uma identidade. Sabemos que isso não é verdade e temos vários sinais que mostram que bissexuais já estavam presentes na Revolta de Stonewall. Os primeiros nomes a serem lembrados são os da própria Marsha P. Johnson e da Sylvia Rivera, ícones do movimento e símbolo de luta. Marsha e Sylvia são lembradas enquanto referências gays. Importa menos, aqui, se elas de fato estavam na data da revolta ou não, já que existe ainda muito debate referente a isso, mas não deveria estar em discussão a identidade delas. São duas mulheres trans e bissexuais, uma negra e outra latina, que se tornaram líderes do movimento de Liberação Gay (como ele ficou conhecido).



Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson


Na toada do que foi a Revolta de Stonewall, é essencial a gente lembrar de que ela não foi um inciativa alegre pelo direito de amar. Outros grupos já vinham fazendo isso em anos anteriores, com pouquíssimo efeito e alcance na sociedade. Ela foi uma resposta a violência policial, que há tanto vinha atacando as pessoas LGBT+. Inclusive, em 1966 aconteceu uma pequena revolta por conta da truculência policial a pessoas trans, na cafeteria Compton's, marcando o incio do ativismo trans. O contexto da época era o seguinte: apenas sete anos antes, em 1962, a homossexualidade havia começado a ser descriminalizada, embora Nova York ainda fosse muito rígida nesse sentido. Demonstrações públicas de afeto homofilas eram crime e as pessoa condenadas poderiam ser desde encarceradas até mortas. Existiam pouquíssimos lugares que promovessem algum grau de segurança e liberdade para as vivências LGBT+ da época, a maioria sendo bares. O Stonewall Inn era propriedade da máfia local, que vendia bebida adulterada, sem licença, a preços exorbitantes. Para garantir seu funcionamento, pagava propina para a polícia, que em troca realizava menos vistorias e, quando fosse realizar uma batida policial, os donos do bar eram avisados antes. Isso não evitava que pessoas fossem constrangidas, humilhadas e presas, a cada batida.


A Revolta de Stonewall se deu na madrugada do dia 28 de junho de 1969, em que a polícia chegou ainda mais truculenta e os usuário do bar se recusaram a cooperar. Resistiram às prisões, fizeram os policiais de chacota, dançando e cantando de forma a desmoraliza-los, e partiram para a resistência física, atacando os policiais com moedas, tijolos, pedras e incendiando lixeiras. O próprio Stonewall Inn ficou destruído. Importante lembrar de Stormé Delarverie, uma mulher lésbica negra que deu o primeiro soco nos policiais. Esse dia foi o primeiro de uma sequência de resistências a brutalidade policial, que veio a mudar o mundo. Movimentos ao longo de todos os Estados Unidos surgiram e começaram a fazer frente, erguendo e manifestando vozes cansadas e feridas, num basta a toda a violência que vinham sofrendo.


Entre os efeitos que surgiram pós Stonewall podemos falar da primeira parada do orgulho LGBT+, no ano seguinte, criado pela bissexual Brenda Howards. Ela, que é constantemente apagada da história do movimento LGBT+, é conhecida como mãe do orgulho (mother of pride, em inglês). A própria ideia de “pride” é proposta por ela, por L. Craig Schoonmaker, um ativista gay, e por Stephen Donaldson (Donny The Punk). Donny The Punk, inclusive, fez parte do primeiro movimento bissexual ativista, fazendo parte da "Ithaca Statement on Bisexuality" em 1972, levantando voz contra um sofrimento especifico que pessoas bissexuais vivem, a que hoje chamamos de bifobia. Se três anos depois da Revolta de Stonewall podemos já pensar em ativismo bi e falar em bifobia, é porque isso já via sendo maturada há pelo menos alguns anos. Sobre Danny The Punk, Kaique Fontes fala um pouco num texto que já publicamos e sobre a Brenda a gente ainda vai falar dela especificamente.


Como muitas pessoas trans bem lembram, a luta não é pelo direito de amar, mas pelo direito de existir. Em 1969, as pessoas enfrentaram a polícia para poder existir em público, demonstrando seus corpos, suas vivências, seus afetos. Não mais viver em bares sem infraestrutura básica, controlado pela máfia, bebendo bebidas adulteradas e com preços exorbitantes. Tomar controle das suas vidas sem medo de ser quem são. Se hoje ser LGBT+ é menos horrível do que era então, não podemos esquecer que estamos no país que mais mata pessoas trans. Temos de lembrar que as pessoas bissexuais apresentam os piores índices de saúde mental dentre as orientações sexuais. E temos de lembrar que nossos direitos não vieram de forma pacífica, e sim fruto de luta contra a brutalidade policial, um problema que continua ainda presente e afetando a vida de muitos, em especial das pessoas negras.


Se aprendemos algo com a revolta de Stonewall, esse é o momento de colocar esses ensinamentos em prática.

52 comentários


uyenghomsoet.h.uy.e.n+abc123
há 5 dias

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robert50powell.9.5.8.4+abc123
há 6 dias

SC88 mình cũng chỉ ghé thử vì thấy mọi người nhắc hoài, kiểu vào xem cho biết thôi. Ấn tượng đầu là giao diện nhìn hiện đại, không bị rối mắt; chữ với khoảng trắng vừa đủ nên đọc lướt vẫn hiểu họ đang nói gì. Mình có kéo xuống xem vài đoạn giới thiệu, thấy họ nhấn khá nhiều vào chuyện công nghệ với bảo mật nhiều lớp, đọc cảm giác đỡ “mời chào” hơn mấy trang khác. Mấy phần nội dung được chia theo từng khối rõ ràng, cuộn xuống là thấy từng block tách bạch nên mắt không phải căng ra tìm. Nói chung mình chưa thử gì sâu, chỉ thấy các tiêu đề mục đặt nổi…

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katrinacha.vez.52.0.2
09 de jul.

https://xx88.ing/ mình ghé thử cho biết vì thấy bạn bè nhắc, kiểu vào xem giao diện thôi chứ không máu me gì. Ấn tượng đầu là trang nhìn khá thoáng, các khối nội dung chia ra rõ ràng nên kéo xuống không bị rối mắt. Mình để ý phần giới thiệu có nhắc “hơn 10 năm hoạt động” nên đọc lướt cũng hiểu họ muốn nói gì, không dài dòng. Menu đặt ngay chỗ dễ thấy nên bấm qua lại nhanh, không phải mò từng mục. Nói chung bố cục làm mình thấy dễ chịu, kiểu ai mới vào cũng biết đang ở đâu, và mấy tiêu đề hiển thị dạng block tách bạch ngay trên trang.

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laurasmith4604
06 de jul.

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katrinacha.vez.52.0.2
02 de jul.

ball88.art mình thấy mọi người bàn tán hoài nên tiện tay mở thử lúc đang rảnh. Không phải kiểu vào để đọc hết nội dung đâu, mình chỉ ngó giao diện xem họ sắp xếp ra sao. Cảm giác đầu tiên là trang nhìn khá dễ thở, khoảng trắng vừa đủ nên không bị rối mắt. Mình để ý họ chia nội dung thành từng khối rõ ràng, lướt xuống là biết đang ở phần nào chứ không bị dính liền một cục chữ. Có mấy chỗ trình bày theo dạng bảng cột nên nhìn cái là nắm ý nhanh, khỏi phải đọc dài dòng. Menu cũng nằm chỗ dễ thấy nên bấm qua lại vài mục khá mượt, không…

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