• Bi-Sides

Magenta, Lavanda e Azul Real

Visibilidade bissexual é uma ideia esquisita. Ela fala que há um dia em que somos visíveis, em que somos lembrados e reconhecidos ou, pelo menos, é o que tentamos. É um dia de cuidado e de amor próprio. As pessoas bissexuais vivem sem lar, sem alguém que nos acolha de verdade, e cabe a nós a organização e criação de um lar que nos foi prometido e nunca feito. Se não olharmos por nós mesmos, ninguém o fará. Se não nos cuidarmos, continuaremos tendo os maires índices de violência física, sexual e emocional. Seremos esquecidos pelos heterossexuais cisgêneros e recorrentemente apagados pelo resto do LGBT. Seremos escrachados, ridicularizados e diminuídos por aqueles que se dizem inclusivos, mas que na realidade são apenas por eles mesmos.

Estar numa festa feita por e para bissexuais é um prazer deslocado, que por nos ser tão ausente, estranhamos quando o vivemos. Um lugar em que podemos viver nossas pequenas estranhezas e particularidades e não precisarmos dedicar esforços para tentar nos adaptar a um universo que não nos pertence, um universo monossexual. Seja um mundo hétero, seja um mundo gay ou lésbico, nunca estamos realmente confortáveis.

O 23 de setembro é um dia que lembramos quem somos, que temos voz e que a faremos ser ouvida. É dia de nos fortalecermos e de levantar a cabeça, em luta. De não deixar a bifobia nos imobilizar e do fascismo se instaurar. É dia, também, de lembrar que não somos binaristas, que nossas atrações se dão muito além de uma ideia de que só existe dois gêneros, de que só existe homem e mulher, e de que só nos atraímos por esses. É dia de lembrar de que não existe passabilidade hétero e que nosso sofrimento é real. É afirmar que se dizer bi implica em rever a supremacia do sexo. É dar as mãos às comunidades trans e assexuais, que também sofrem de problemas muito parecidos aos bissexuais. É momento de unir forças com as comunidades pan e polissexuais e com todas as outras que ocupam o lugar da monodissidência.

Quando, enfim, setembro acabar, seguiremos nossa luta por respeito, dignidade e sobrevivência. Estaremos um pouco mais próximos e um pouco mais juntos de nós mesmos. Mesmo ainda precisando comemorar a Visibilidade Bissexual ano que vem, e por vários outros mais, lembramos sempre que o B de LGBT não é mudo. O 23 de setembro é um dia de luta e uma dia de descanso, de cuidado, e de lembrança dos nossos heróis, dos nossos mortos e de nós mesmos. Nossa marcha se estende em frente, até o dia em que não precisaremos comemorar mais dia de visibilidade alguma, pois todos saberão que estamos e sempre estaremos aqui. Presentes.